FRANK LLOYD WRIGHT, A PRESENÇA DO DESIGN “VIVO”
Muito tem se falado sobre as formas “orgânicas” nos produtos de uso e na arquitetetura , como um estilo ou uma tendencia formal. Na verdade é apenas mais uma abordagem de desenvolvimento formal num certo momento, em ambos os casos. O conceito organico tem um carater de desenvolvimento natural, inato e oposto ao que é calculado e ideado. No Design de uso a forma artificial do objeto pode resultar de formas geométricas bem definidas, por imitar as formas naturais, pela adaptação formal do corpo humano ao uso, vir através de curvas insinuosas e trejeitos que lembrem seres vivos ou simplesmente definir uma forma graciosa que se reporte a algo que conhecemos. Não é necessario o uso de materiais naturais, nem ter o completo dominio sobre a forma, ela flui com a intuição, se apresenta dinamica e com ritmo visual que reporte a um organismo vivo. A forma “orgânica” de um objeto de uso não é apenas uma forma artificial inerte, ela se apresenta como a maioria dos objetos naturais e se conecta com o usuario como algo vivo. No Design Orgânico o objeto de uso VIVE! È a sua principal característica.
O grande mestre da arquitetura americana e teorico da “arquitetura viva” também foi um designer de mobiliario de primeira linha. Amante da fluidez formal nos seus projetos arquitetonicos, seguia também o mesmo conceito formal no mobiliario e nesse aspecto, foi original. Frank Wright: projetava para o lugar, sem seguir uma linha formal unica; o local, a cultura, os materiais e o ambiente eram o que importava. Baseado nesse conceito, Wright desenvolvia os seus projetos que ficaram conhecidos como “orgânicos”.
Os seus moveis eram feitos para o projeto, para a edifição e para o uso no local, não para ser industrializado ou cultuado; não era geral, era particular. Para um empresa ele desenvolvia móveis especificos de trabalho; para um hotel no Japão as sua cadeiras seguiam formas tipicas do país e para um cliente em particular, os moveis refletiam o carater da edificação e as necessidades, o modo de vida e a personalidade do cliente. Nunca vinha de graça, criar por criar. Conforme levantamentos feitos após a sua morte, Wright projetou mais de 1000 peças de mobiliario e mais de 600 projetos arquitetonicos. Portanto, o que agora mostramos, não passa de uma pequena amostra do seu importante e proficuo trabalho em prol de Design correto, bonito e profundamente vivo. As imagens apresentadas mostram o quanto Wright é atemporal! Por isso, ainda vive!
Os seus primeiros trabalhos em mobiliario datam do final do seculo XIX e suas cadeiras seguiam o conceito de espadar alto, tipo Mackintosh, mas eram de desenho simples e predominantemente vertical, sem os adereços formais da Escola de Glasgow.(Figs.1 a 4)

Fig 1 - Desenvolvida para a sua residencia em 1895


Figs.2 e 3 - Coonley, 1907
Fig. 4 - Robie House, 1908.
Para a empresa Larkin, Buffalo,NY desenvolveu cadeiras de escritorio, incluindo aquela que revolucionou o trabalho corporativo, a cadeira de rodizios que originou todas as outras posteriormente. A cadeira fixa era pesada e formalmente rigida, mas a de rodizios, Wright já apresentava os primeiros sinais de envolvimento com as formas geométricas. (Figs. 5 e 6)

Figs. 5 e 6 - Cadeiras Larkin: a primeira para ser usada de forma mais geral e a segunda de rodizios, que revolucionou o trabalho nos escritorios, 1904.
Em 1914, Wright desenvolveu uma cadeira em ferro para o Midway Gardens, fugindo da madeira como material principal e já mostrando a presença das formas arredondadas, com arremates naturais.(Figs. 7 e 8)
Figs.7 e 8 - Midway Gardens, 1914
Mas foi para o Hotel Imperial de Tóquio em 1922, que Wright se definiu como um designer que integra a cultural local com o desenvolvimento formal e projetou uma das cadeiras mais interessantes da historia do Design. (Figs.9 e 10)
Figs. 9 e 10 - Imperial Hotel, 1922.
Com a poltrona Barrel, as formas arredondadas atendem perfeitamente o corpo humano ao sentar, numa perfeita combinação de forma e função. E ganhou até novos usos, a partir da sua clássica forma, como a base de um globo terrestre. (Figs.11 a 13)
Figs. 11 e 12 - Barrel, 1937

Fig.13 - Adaptação de um globo à estrutura curva da Barrel.
A cadeira de tubo para Jonhson Waz é uma construção arquitetônica, exemplo maior do conceito organico de Wright. (Figs. 14 e 15)
Figs. 14 e 15 - Jonhson Wax, 1939
E o grande arquiteto e designer, a partir da década de 1940, se permitiu a devaneios formais, se perder a sua paixão pelas formas geometricas. (Figs. 16 e 17)
Fig. 16 - Origami, 1949 | Fig. 17 - Howard Anthony House, 1949
E assim, o velho mestre, um dos pioneiros do Design Moderno, nos deixou de legado, um dos mais completos e ricos acervos de peças de mobiliario; não precisamos nem indicar a data de desenvolvimento e produção. Basta ver, é atemporal e dotado de uma contemporaneidade impressionante. (Figs. 18 a 28)
DIVERSOS USOS
Figs. 18 a 20 - Aparador Aurora; Escrivaninha Jonhson Waz; Escrivaninha Meyer May.
MESAS


Figs. 21 a 24 - Mesinha Lewis; Mesa Wright ; Mesinhas Robie; Mesa Husser
SOFÁS E POLTRONAS
Fig. 25 - Poltrona Imperial Hotel


Figs. 26 e 27 - Willian Greene

Fig. 28 - Sofá Robie
- Se logue ou se registre para poder enviar comentários


