A MULTIVARIAÇÃO FORMAL JÁ GANHA PREMIOS: FAMILY CHAIRS, Lina Nordqvist

Quando alguem reafirma que a esperança para um futuro melhor estar nas mãos dos jovens, as vezes essas palavras deixam de ser de ser um simples clichê e passam para o bem comum da humanidade. É o caso da jovem designer sueca Lina Nordqvist que no seu projeto de graduação na Escola de Design de Beckman não  se esforçou para apresentar mais um modelo divino de cadeira como era de se esperar. Como todos sabem os designers almejam desenvolver e assinar  o seu proprio modelo de cadeira, unica, original, genial, fascinante e outros adjetivos do ramo.  Mas  isso  sim é um clichê, nessa glamourosa  atividade humana.

Lina foi mais longe: deixou de ser moderna para marcar presenca no Design de Vanguarda para o Mundo e mandar as favas os velhos designers acorrentados aos ditames bauhasianos e fordianos de desenvolvimento e produção do produto de uso. Ela tambem escolheu uma cadeira para o seu projeto de fim de curso com a intenção de explorar a tradição sueca de moveis em madeira e tendo em vista o baixo custo de fabricação. Mas ela tinha um conceito formal subtentido nas suas generosas, honestas e poderosas intenções. Conforme as suas proprias palavras: “Eu sou fascinada por objetos, e eu gosto quando eles têm a sua própria individualidade preciosa, algo além da mera funcionalidade tecnológica."  Ai está  portanto o X da questão. E ela foi mais longe, porque na verdade o X dessa questão é a base conceitual da Teoria da Multivariação Formal do Design:

(...) “Cada objeto de uso ao ser desenvolvido em bases generalizantes e por isso mesmo cientificas, tem a sua personalidade propria  indissoluvel, como acontece nas forma naturais. Basta ver o ser humano, todos são unicos e com personalidade e forma proprias,  todos são diferentes apesar de serem formados com a mesma natureza ” (Shane R.V,1970)

E como a deusa Lina fez? Ela fez como a Teoria apregoa, utilizou a mesma Estrutura Formal para compor incialmente uma familia de 4 irmãs não gemeas, mas biologicamente  parecidas e diferentes, vindas dos mesmos genes: 4 pés torneados iguais, o mesmo assento, elementos iguais para formar os encostos, travessas de amarração do mesmo formato  e comprimentos diferentes, e peças de apoio do encosto com medidas e curvaturas diferentes. As possibilidades  formais  são incontaveis com esses elementos cosntrutivos. Basta trocar a posição das travessas, a disposição e a quantidade das peças de apoio do encosto, acrescentar ou retirar peças estruturais, etc. E os resultados iniciais obtidos por Lina mostram modelos classicos mas com profundos ares de contemporaneidade e beleza.

Por que fazer apenas um modelo se as peças basicas permitiam a Multivariação Formal? Por que um só  modelo do design unicista, ultrapassado e sem graça do fordismo?

O resultados dessa conquista foram os primeiros 4 modelos mostrados abaixo e que poderiam ser mais, caso  Dona Lina quisesse; além disso,  esses modelos podem ter 3 tipos de acabamentos diferentes,  como se vestissemos as 4 irmãs com roupas diversas, só para variar! Olhando cada modelo em separado nenhum se parece com o outro e a herança hereditaria dos genes  é observada apenas quando estão juntas. Sutil, não?  Coisas da Multivariação Formal, minha nêga!

Olhemos para o lado do cliente: ele pode escolher a que mais lhe agrada em todos os modelos, em formato  e cor. Isso significa dar mais opções, ou seja, mais liberdade de escolha. Isso é extremamente salutar, uma questão de respeito ao usuario.

Olhemos  para o lado do empresario: os custos são  praticamente os mesmos se ele fosse produzir apenas um modelo, mesmo com peças a mais ou a menos; de quebra ele ampliou a faixa de mercado devido ao maior leque de opções modelares. Isso resulta em maior lucro e sucesso garantido, em qualquer modelo, pois podem ser consumidos a mais ou a menos, em comjunto ou individualmente.

Olhemos para  o lado da designer: ela não almejou apenas um objeto de desejo de suas idiossincrasias interiores, pois ele criou uma familia de verdade, não apenas um orfão do consumo.

E por absorver a Teoria como Pratica, a Familia de Lina abocanhou dois premios, o Accent on Design Award de New York em 2009, e o  Swedish Elle Decoration’s Design Award em 2010 e demonstra mais uma vez que a nossa veemente defesa da Multivariação Formal feita aqui no site, esta cada vez mais presente nesse mundo em que o Design se volta para as vaidades individuais  ao invés de servir a humanidade como atividade util para  todos.

Designers, não percam o trem da historia!


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