O DESIGN BRASILEIRO DO LOCAL: Moveis de Jorge Montana

O Design se manifesta de mil maneiras, porem apenas poucas delas soam como tambores retumbates no ambiente da vida, no ambiente  das pessoas comuns que precisam ter algo mais em suas vidas. O Design  é uma atividade social antes de tudo, não  apenas um mero fazedor de coisas uteis e muitas vezes, inuteis por força da vaidade e da falta  de norte de alguns.

Uma das boas maneiras do Bom Design, é  ver e obeservar o local. O local  é a verdade que nos cerca, a realidade que está em volta; aquilo que usamos, vivenciamos, adquirimos, herdamos. É toda uma cadeia historico-culltural que foi formada por pesssoas e seus habitos, suas formas de sobrevivencia, trocas e cultura. E  quando o Design parte disso – o  conceito  do comum – ele é util, prazeroso e cumpre o seu papel como atividade importante para a humanidade. Um exemplo vem do designer brasileiro Jorge Montana. Ele estudou as proporções, os modos, a feitura e a forma de um dos objetos mais conhecidos e usados nos mares do nordeste brasileiro, - a jangada e seus apetrechos -, e desenvolveu uma linha de moveis em função dela.

É  legal fazer isso! Pegar um objeto da cultura local, do Design historico do local, estuda-lo, explora-lo em seus detalhes formais, analisar os seus elementos funcionais, admira-lo enquanto  objeto de uso util e representativo da cultura local e a partir dele, desenvolver objetos para o uso de todos. Pensar o local, fazer para o geral, é  o Design de Verdade do Jorge, um designer brasileiro, um designer de verdade. Se os cursos universitarios e tecnicos e os programas das instituições publicas de apoio ao Design se orientassem ostensivamente para o objeto local, se houvessem premios e exposições incentivando esse proposito e se e os proprios designers se voltassem para desenvolver produtos de uso a partir do que existe como cultura historica do bem comum, o Design brasileiro seria mais vivo, mais util para o pais e em termos economicos-vulturais, voltado para o  mundo. Simples formalmente, bonito de se ver, gostoso de se usar e sem vaidades de quem quer que seja.

Partindo da jangada como conceito de desenvolvimento, os resultados formais e funcionais do trabalho de Jorge, surgiram quase naturalmente, como todo Bom Design. São poltronas, cadeiras e mesas, desenvolvidas com fruto dos elementos basicos da  jangada, todas simples e belas, leves e de construção elementar, vivas e multivariadas enquanto  forma e função. No entanto, isso vai mais longe, a jangada foi apenas o mote, o que importa  é o conceito, o Design que se pode fazer partindo da cultura do  fazer local. Isso é  o que  se preza e se admira nesse trabalho.

Esperamos com ansiedade que  outros o sigam para o bem do nosso Design com D maiusculo.

Ave Jorge, um designer brasileiro!

 

A JANGADA NORDESTINA E SEU APETRECHOS

 

Fig. 1 - Os elementos da jangada tem suas peculiaridades enquanto forma e função,  são unicos e originais.

 

 NAS PROPORÇÕES, NAS FORMAS, NOS ELEMENTOS FUNCIONAIS E NOS MATERIAIS

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Figs. 2 a 4 - O estudo meticuloso dos elementos funcionais da jangada implicou nos elementos formais e funcionais dos objetos de uso desenvolvidos.

 

VEM OS ESTUDOS ERGONOMETRICOS, A CONSTRUÇÃO, A VIABILIDADE.

 

Figs. 5/6 - Estudo ergometrico da poltrona, construção e viabilidade.

 

ENTÃO AS COISAS SURGEM QUASE NATURALMENTE

 

 

Figs. 7 a 9 - Os desenhos esquematicos de tres projetos; vale a pena notar os detalhes funcionais com formas originadas dos varios elementos da jangada.

 

A BELEZA DA VIDA SE REFAZ, NO DESIGN DO UTIL E DO VERDADEIRO

Figs. 10/11 - Os objetos são bonitos,  simples e funcionais, como todo Design originado de um bom conceito.

 

E SE INTEGRA AO AMBIENTE DE ONDE VEIO E SURPREENDE PARA ONDE VAI

 

Figs. 12/13 - Os moveis se integram ao ambiente de onde se originaram, como era de se esperar, afinal eles apenas mudaram de lugar. E no ambiente  de uso, se tornam originais, influenciando sendo uteis e belos.