O QUE É VELHO, NOVO SE PARECE: Modernatique, Cho Hyung Suk

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Ninguém pode falar do novo esquecendo o velho, é ainda um chavão válido no Design. Não adianta, o novo depende do velho, quase sempre especialmente quando o tema é o móvel e especificamente se for cadeira ou poltrona. Mas, ás vezes, alguém é bastante honesto para fazer o velho virar novo e não praticar um dos Sete Pecados Capitais do Design, mais precisamente, o da Repetição Formal.(*)

O Design moderno sofre de uma doença crônica porque comete esse Pecado, e os designers fazem o novo sem necessariamente ser, apenas repetem as velhas soluções formais do passado e não tem a mínima vergonha de assumir isso. Ou seja, os designers são sem-vergonhas e raramente admitem que estão repetindo o passado quando dizem que fazem o novo. O negocio é ser moderno sem ser eterno. Mas esquecem que “tudo no mundo é frágil, tudo passa”, como dizia Clarisse Lispector cantada por Fagner, e, embora o Design não seja Deus, ele pode ser principio e fim, se não negar o passado no presente. E quando acontece isso, o Design é belo, verdadeiro e útil. Principio e fim.

Foi o que fez o designer coreano Cho Hyung Suk, ao propor sem mentiras e vaidades fazer um móvel novo com cara de antigo. E fez bonito, quando toda proposta é formulada assim, sem medo do passado e de ser feliz. A idéia era fazer uma poltrona e mesinha de apoio dos tempos antigos com caras de novas, reportadas aos tempos dos moveis pés de palito dos anos 1950s. Linda a sua solução formal, bela a sua idéia, magistral a sua honestidade. Pena que no Design de mobiliário, os designers não curtem o velho no novo para redimir o Pecado Capital da Repetição Formal. Mas tem sempre alguém que vem nos salvar.

Amém!

Olhem como a poltrona é simples, bonita, confortável e nova, assim como a mesinha. E não tem cara de velha!

 

 

(*)Consultar o livro: “Os Pecados Capitais do Design”, Reginaldo Sah