ORÉ BRASIL: A PREOCUPAÇÃO COM O BELO, O UTIL E O SUSTENTAVEL
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O uso de uma matéria prima como o Bambu, - que é capaz de tomar da atmosfera cerca de 62 ton de CO2 por hectare plantado/ano (aproximadamente 3 vezes mais que uma floresta nativa ou de reflorestamento), e liberar aproximadamente 35% a mais de O2 – é uma solução que tem percorrido o mundo do Design e da Arquitetura com cada vez mais frequencia. O Brasil anda atrás com relação aos paises asiaticos, justamente porque só há poucos anos esse fantástico material tem sido empregado com mais intensidade e com maior conhecimento tecnologico para a sua aplicação. Mas, tem gente que faz e muito bem, tanto em termos de processo de fabricação e construção, na Arquitetura e Design.
E para a nossa sorte e esperança, uma delas é a empresa ORÈ BRASIL,com designer Paulo Foggiato. E faz sem medo de errar, porque a ousadia da fabricação e o otimo Design, é a sua tonica. São moveis leves, resistentes, bem acabados e bonitos, nos quais a solução formal sempre bem pensada casa perfeitamente com a construtiva. A ORÈ trabalha com bambu e madeira de reflorestamento, sem tirar onda de fazer aquela coisas horrorosas que só se prestam para eventos de Design fashion e que logo caem no esquecimento por não terem a profundidade e a seriedade necessarias enquanto ser Design de verdade. E a empresa não fica só no moveis, faz revestimentos com madeiras reflorestadas e certificadas procurando manter um equilibrio entre uma velha arvore trucidada na Amazonia e a que é revivida no sul do país.
O processo construtivo se baseia em revestir laminados de madeira (pinus ou outra madeira) ou MDF, com tiras finas de bambu na relação assento-encosto e com peças moldadas e curvadas das estruturas com o mesmo material. E ai, Foggiato viaja na Multivariação Formal e pratica – mesmo sem o baseamento teorico, o UPDesign. As suas soluções formais tem certa dosagem de semelhança conceitual, mas primam pela diversidade modelar. Primeiro ele mantem a solução formal inteiriça da relação assento-encosto, depois ele a divide em duas; segundo, muda o acabamento, as medidas e as curvaturas das estruturas nas outras cadeiras e poltronas e por fim, trabalha com a variação formal e construtiva da estrutura junto com o material. Com isso os modelos diferenciados surgem sem enganar ninguem, apenas Foggiato pratica muito bem um dos recursos validos da Multivariação Formal: manter a Estrutura Formal e variar os componentes e os detalhes formais. E assim faz o maior sucesso, o que demonstra mais uma vez, que o modelo unicista fordiano já era.
Existe uma certa confusão em diferenciarmos a nomenclatura de alguns modelos, o que implica em não sabermos exatamente qual o modelo que corresponde ao apelido, só olhando com mais atenção a feitura da estrutura (suas linhas, angulos e medidas), os detalhes formais e a forma da relação assento-encosto. Mas isso é devido a pratica intuitiva da Multivariação Formal do designer. O que importa é que a ORÈ cumpre muito bem o seu trabalho. Um Design moderno e ecologico, tentando fugir da decadente unicidade modelar do fordismo tradicional.
CADEIRAS E POLTRONAS

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LAPA - Otima solução formal e construtiva, leve e resistente, adequada ergonomia de sentar numa classica cadeira de 4 pés modernamente renovada e principalmente, ecológica. A frieza da madeira enquanto material é diluida pela solução formal, é gostosa de sentar e boa para qualquer clima. A estrutura para receber a relação assento-encosto é formada por laminas (ripas) duplas moldadas de bambu presas entre si até a relação assento-encosto, dai se dividem em uma unica lãmina: as duas externas da frente formam os braços numa curvatura harmonica e se apoiam nas duas de trás, que tambem foram subdivididas. Ainda pode variar o uso, para receber mais de um lugar.

BAMBU 5 - A mesma Estrutura Formal das anteriores se mantem nesse modelo e nele já se pode notar o conceito multivariacional que o designer adota. As mesmas lâminas estruturais seguindo uma forma prèdefinida, mas agora com curvaturas e medidas diferentes e a relação assento-encosto que acompanha a estrutura modificada. A estrutura se alonga para receber uma relação assento-encosto mais confortavel para uma poltrona.

ALICE, a Estrutura Formal dos exemplos anteriores se mantem,mas agora foi encurtada com medidas menores e angulos mais fechados proprios para uma cadeira simples ou com braços. O resultado foi uma cadeira leve, resistente e bonita de se ver e sentar. Uma solução formal inovadora mesmo para um modelo tradicional de 4 pés. Pode ser multivariada formalmente, basta trocar os materiais e acabamentos da relação assento-encosto. Bacana.
BAMBU 1 E 2 - Aqui a solução estrutural dos exemplos anteriores, ganhou novas feituras formais e de uso, sem perder a beleza jamais. Mudando os angulos estruturais das lâminas recurvadas, surgem novos modelos de utilidade. A curvatura dos pés se manteve atrás, mas mudou na frente, como a letra maiscula A curvada dos dois lados. E mostra que a solução formal baseada numa estrutura bem dimensionada e com escolha variada da curvatura, implica em diversidade modelar. O conceito é o mesmo, mas o estofamento e o acabamento da relação assento-encosto, somados ao detalhe formal dos braços, fornecem um modelo totalmente novo e salutar. E varia formalmente cada vez que se muda o material e a textura da relação assento-encosto. Linda!



A PAMPEIRA (1) é uma classica solução formal renovada com inspiração e ousadia construtiva devido as pequenas medidas do material estrutural. Ela é antes de tudo leve em forma e peso. A estrutura de madeira fechada em cima para os braços e aberta embaixo nos 4 pés e com angulos escolhidos é conhecida há muito tempo.Mas no caso, foi feita para multivariar a forma, não estacionar num modelo unico. O estofamento de espuma continuo da relação assento-encosto e costurado para cobrir os braços, é uma solução formal bem diferente, do que aquela, com angulos estruturais mais fechados e com o assento e encosto separados (2). E mais diferente ainda, com laminas recurvadas de madeira (3). Essa nasceu para se multivariar, não ficar isolada e perdida num modelo unico.

BAMBU 3 - A simplicidade formal e construtiva dessa cadeira de laminados de bambu e MDF da relação do encosto é levada ao maximo. O numero de peças e junções é extremamente reduzido, o que significa custos mais baixos e rapidez na execução. O assento é estofado levemente e o encosto solto e preso na travessa, é que definem a forma. A simplicidade formal assim obtida pela relação assento-encosto é tão intensa, que estabelece de imediato uma conexão com o observador, seja positiva ou negativamente.
É, a simplicidade formal por ser teoricamente dificil, pode ser arriscada na prática. Mas quando acontece numa boa solução, em geral se perpetua; principalmente se tiver os ingredientes formais e construtivos para a variação modelar. E essa tem, basta só dar continuidade formal ao modelo, como os braços e a extensão do uso.
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MESA DEMOISELLE - O mobiliario tensionado tem sido ultimamente usado no Design brasileiro, aconteceu como uma descoberta, uma nova abordagem de desenvolvimento. Mas ainda não com material sustentavel. Mas essa mesa de Foggiato é feita de bambu e com tampo de vidro, é super interessante e original; de uma leveza e transparencia bem legal. Nada melhor do que combinar a transparencia do vidro e a sua forma oval por cima de uma estrutura leve e bem espaçada que trabalha sob tensão. Não dá para deixar de olhar para a estrutura sob o vidro e admira-la.

MESA DE CENTRO JABUTI - Historicamente falando no Design, quando o apelido combinou com a forma, em geral, o resultado foi otimo. E nesse caso, também foi e muito bem. As folhas laminadas se juntam numa forma inusitada conseguida através de uma solução estrutural unica; lembra um Jabuti. Uma bela forma util bem casada com o nome certo. Foggiato não fez apenas o dever de casa, mas uma das mesas de centro mais inovadoras dos ultimos tempos no Design dessa categoria.
MESA DE CENTRO YBYCUY, é uma experiencia. Tem o tampo de laminados e estrutura tensionada de bambu, toda ela feita com materiais sustentaveis. No entanto, com percalços devido a ondulação do tampo. Tampo de mesa é tampo de mesa, é uma superficie plana com a finalidade de receber objetos e cumprir a sua função. Não dá para inventar. Mesmo assim, valeu pela experiencia.
E DE QUEBRA, FOGGIATO FAZ DESIGN, COM DUAS POLTRONAS SEM QUALQUER VINCULAÇÃO COM AS ANTERIORES:


A YBIORÉ, é uma poltrona clássica, mas com certa dose de ousadia na forma, nos materiais, grafias e cores. Decididamente não é uma poltrona bem comportatada. Ainda bem. Já a MULTI 1, nos leva ao auge dos moveis de madeira de lâminas moldadas da epoca de Alvar Aalto e Eames. É o risco de adotar uma solução formal baseada numa estrutura nostalgica, mas o modelo supera o risco, pelo conhecimento das regras fisicas do material (ver o conveniente afastamento das laminas duplas na parte de cima) e pela função dos detalhes tensionados. A estrutura mesmo conhecida, foi tratada de forma diferente e recebe uma relação assento-encosto também já tentada antes, mas nunca incorporada a esse tipo de estrutura em particular. Não podemos esquecer que Design é antes de tudo renovação constante de Estruturas Formais já conhecidas. O curioso é pensar que os dois modelos são antigos e são. E muito mais curioso é pensar que elas são novas e são. O detalhe formal é tudo no projeto unico, faz a diferença. A memoria do objeto, também. Juntar o detalhe formal e a memoria, as ideias nascem e as opções se apresentam. Isso é Design sem medo de errar,nem tirar onda fashion do objeto de uso, feito apenas para durar enquanto acontece os eventos e exposições do ramo.
Só nos resta encerrar, parabenizando o trabalho de Foggiato e Oré e pela bem agradecida opção de fazer um UPDesign com materiais sustentaveis, justo, inovador e bonito.
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