OS UTENSILIOS DE PREPARO DO CAFÉ - Parte 2

“Amigo remendado, cafe requentado”

                                                        Anonimo

PARTE 2 – AS MAQUINAS DE FAZER CAFE

 

PREPARAÇÃO DO CAFÉ PRENSADO: CAFETIERE (French Press Coffe Maker)

Embora não seja propriamente uma maquina a Cafeteira de Prensar é um modo diferente de fazer café . A ideia foi patenteada em 1929 pelo italiano Attilio Calimani,mas em 1930 os franceses Melior e Chambord desenvolveram os primeiros modelos usando filtros de aço inoxidavel. Conhecida como Cafeteira de Prensa ou de Embolo, ou mesmo de Pistão  e Alavanca, o aparato e muito simples: num pote onde esta depositado no fundo a torra moida  se coloca a agua fervente em proporção conforme a infusão seja mais forte ou mais fraca ,  mexe-se bem a mistura,  e através de um embolo com base furada (filtro) é empurrado contra a infusão e o cafe filtrado sobe pronto para ser servido.

Esse processo de fazer café  passou por várias modificações no projeto dos potes ou cafeteiras através de Faliero Bondanini, que patenteou sua própria versão em 1958 e começou a fabricá-lo em uma fábrica francesa de clarinete  chamada Martin SA, onde sua popularidade cresceu e ficou conhecida como Cafetiere ou cafeteira frencesa com prensa. Além disso, foi popularizada na Europa por uma empresa britânica com o nome de Household`s Articles  e principalmente, pela empresa dinamarquesa de utensílios de cozinha Bodum Santos.

A  Cafetiere moderna consiste de um corpo de forma um cilíndrica normalmente feita de vidro ou plástico transparente, equipado com uma tampa e um "êmbolo", feito de metal ou plástico, que se encaixa bem no cilindro e que tem um filtro de  malha fina. A simplicidade do mecanismo e seu potencial para a apresentação após o jantar se tornaram atraentes na convivencia socal e levaram a uma variedade de modelos. A grande vantagem das Cafetieres  é a sua portabilidade e o  modo simples de preparo,alem do sabor diferenciado. É o Design fazendo cultura. (Figs. 91/92) (*)

 

Figs. 91/92 - O esquema de funcionamento da Cafetiere, ou cafeteira de prensa manual.

 

Os modelos das Cafetieres foram inicialmente desenvolvidos em vidro resistente protegida por uma armação de aço inoxidavel e com as partes moveis do mesmo material: tampa,  êmbolo, pistão, filtros. A  empunhadura e o puxador da tampa eram de plastico por causa do calor. (Figs. 93/94)

 

    

Figs. 93/94 - Duas Cafetieres da decada de 1920: Bodum Chambord,1923 e Old French Press

Com a introdução da eletricidade as Cafetieres dispensaram a agua fervente vinda de fora e o preparo do café passou a ser diretamente no recipiente, como qualquer cafeteira eletrica, porem com um processo diferente. Tambem passaram a ser feitas de plastico resistente que as tornaram  mas duraveis e com Design diferenciado. (Figs. 95/69)

   

  

Figs. 95/96 - A Cafetiere moderna eletrica feita de plastico Chef`s Choice, um Design simples e transparente para mostrar o seu  funcionamento.

 

A dinamarquesa Bodum Santos é a principal empresa que desenvolve Cafetieres de alta qualidade e de bom Design no mundo, em diferentes modelos. Ha quem diga que é  o melhor processo de preparar o café caseiro, somado ao carater de convivencia social que o envolve. E designers e marcas famosas tambem entraram nessa onda, como Michael Graves para a Alessi. (Figs. 97 a 99)

  

 

 

 

 

 

Figs. 97 a 99 - As Cafetieres da Bodum Santos:  Shin Bistro e Eileen; e a de Michael Graves de 1989

A pos-modernidade chegou as Cafetieres, a nivel da forma de prensar e do Design. (Figs. 100/101)

  

Figs. 100/101 - Aerobie Aeropress; Stelton de Erok Magnussen.

 

AS VERDADEIRAS MAQUINAS DE PREPARO RAPIDO: O CAFÉ EXPRESSO

A tecnologia do  Café  Expresso surgiu para faze-lo mais rapido e de forma comercial, ou seja, para atender o maior numero de consumidores no menor tempo. O que significa fazer o café em bares, restaurantes, hoteis e qualquer outro lugar de grande movimento diario de pessoas. As cafeteiras percoladas, por gotejamento, a vacuo  e a pressão tinham sido desenvolvidas para uso domestico ou em alguns lugares publicos, de forma particular, como um pedido especial do cliente  ou como complemento a refeição do restaurante ou hotel, e nos locais proprios para issso, como nos bistros franceses. Mas a partir da segunada metade do seculo XIX, isso mudou.

Nessa epoca era comum nos grandes hoteis e restaurantes ingleses terem esses tipos de maquinas percoladas e a vacuo de grande produção, e eram  muitos populares. Nessa epoca  o grão do café participava efetivamente da expansão do comercio mundial comandado pela Inglaterra e movido pelo aumento da produção na lavoura  (diga-se Brasil) e da demanda da bebida, o consumo do produto pronto foi acelerado. Para tal, precisavam-se de verdadeiras maquinas para atender a esse consumo. Antes do primeiro modelo da maquina de  Café  Expresso expresso surgisse no começo do seculo XX, ja existiam na Europa verdadeiras maquinas de preparar a infusão em locais publicos. Mas todas ainda eram baseadas nas tecnologias tradicionais de percolação e a vacuo que se revelaram mais eficientes para atender uma demanda maior.

E todas eram feitas de metal que garantiam maior durabilidade, facilidade de limpeza e eficiencia. O Design desses aparatos  era puramente tecnico e baseadas nos conceitos do periodo vitoriano, como demonstração de que a Ciencia  e a Tecnologia estavam ali a serviço da humanidade, afinal a Inglaterra precisava vender o café que servia de moeda de troca do seu comercio imperialista. De qualquer forma,  isso ajudou  a expandir a cultura do café para um publico cada vez maior. (Figs. 102/103)

COFFEE-MAKING MACHINES POPULAR IN ENGLISH HOTELS AND RESTAURANTS

Fig. 102 - Maquinas de fazer café  usadas nos hoteis e restaurantes na Inglaterra na segunda metade do seculo XIX, formas tecnicas da epoca vitoriana e Design da segunda era industrial.

 

The Duparquet

Still's machine

  

The Kellum

The Duparquet

Still's machine

The Kellum

Figs. 103 - Modelos diferentes  das Maquinas de café em locais publicos: aqui  ja se nota uma certa preocupação quanto ao refinamento da forma do aparato.

 

AS MAQUINAS DE CAFÉ EXPRESSO MANUAIS

O problema maior dessas cafeteiras comerciais era fazer o café mais rapido para atender a demanda crescente que se verificou a partir do final do seculo XIX. Outras maquinas parecidas surgiram na Europa e em 1873 uma patente foi registrada nos EUA seguindo o processo e a forma da Cafeolette(ver Parte 1). A base tecnologica fora encontrada mas o resultado definitivo  só foi alcançado em 1901 com o italiano Luigi Bezzera. Ele pesquisou o processo de fabricar cerveja por pressão  e desenvolveu um prototipo  em que a agua fervendo dentro de um receptaculo fechado, fazia o vapor subir por pressão e ao passar por um filtro adequado recheados de grãos moidos, deixava o liquido cair quase imediatamente numa torneira colocada acima do recipiente com vapor e com um sabor diferenciado. Outra caracteristica importante no aparato de Bezzera  era de que  o café seria servido em chicaras individuais e um de cada vez. (Fig. 104)

 

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Fig. 104 - O esquema de funcionamento da maquina de Café Expresso de Bezzera: sob um fonte externa para promover o calor  a alta pressão do vapor dentro da caldeira  forçava a água a passar por uma valvula, que ao ser aberta por uma torneira  de pressão que continha um filtro de metal com a torra, preparava o café de forma quase imediata.

 

Nesse mesmo ano, Bezzera patenteou a  Tipo Gigante. Como a maquina de Bezzera fazia o café muito rapido ou “espressso” em italiano, a denominação logo pegou e passou a ser conhecida por todos.  A concepção básica desta primeira maquina e a dinâmica do seu funcionamento ainda  é largamente utilizada nos modelos atuais. Sua idéia de uma xícara de café rápido ficou muito alem do que ele havia planejado, a bebida saia mais forte, com melhor sabor e por um processo mais eficiente. (Figs.105/106)

 

 

Figs. 105/106 - O desenho basico da Tipo Gigante com duas valvulas e dois ou quatro bicos de café, e a primeira de  maquina Café Expresso de Bezzera, de 1901

 

O processo de fazer o Café Expresso é muito bem explicado nas imagens abaixo. A principal diferença entre os outros processo  é que a água realmente penetra na torra de café ao invés de apenas flui ao redor deles e uma dose de cada vez  e  não  em grandes quantidades ao mesmo tempo, como nas tradicionais cafeteiras percoladas ou  a vacuo, dai o grande desafio, srevir individualmente e de forma mais rapida possivel. (Fig. 107)

 

Showing How the Italian Rapid Coffee Machine Works

Fig. 107 - A chicara vazia é colocada na base da torneira; a torra moida  é  colocada no filtro de metal e a seguir ele é colocado na valvula de pressão; então a alavanca  é movida, a agua fervente  sob pressao se mistura a torra, a valvula  é aberta  e o café  pronto sai pela toneira diretamente na xicara.

 

Embora a invenção de Luigi Bezzera fizesse um café mais rápido e com um sabor diferente,  pela combinação de água e vapor sob alta pressão da alavanca, o sabor ainda era  amargo. E ai entrou outro italiano, Desiderio Pavoni que comprou a patente de Bezzera em 1903. Pavoni percebeu que a amargura do café veio a partir da combinação errada entre a pressão do vapor e das temperaturas extremamente elevadas da agua  aplicadas na torra de café e decidiu resolver o problema através da experimentação de diferentes combinações de temperaturas e pressões, e chegou a formula ideal( dai surgiu o nome do primeiro modelo),  com 195 graus centigrados de temperatura  e 9 bars de pressão. Esta é a mesma base para as  atuais  máquinas de café expresso. E em 1905, Pavoni iniciou a produção das suas famosas  maquinas, base do Design que prevaleceu durante tres decadas. (Figs.108/109)

 

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1905-lapavoni-ideale-01 

 

Figs. 108/109 - A primeira  maquina produzida em escala industrial por Pavoni em 1905, a Ideale, que tornou-se o paradigma formal de todas as outras fabricadas na Italia, durante mais de duas decadas.

 

A partir da La Pavoni outras fabricas italians foram fundadas e passaram a difundir o modo de fazer café  por maquinas “expressas” . Com elas o Café Expresso ganhou o mundo, tornando-se um dos prazeres humanos mais difundidos e de constante renovação do Design da maquina.

Em 1905 foi fundada em Turim a Victoria Arduino. A empresa teve o mérito de difundir por toda a Itália e no mundo as máquinas de café espresso italiano, as primeiras no mundo a ter um motor interno a vapor. O fundador, o Sr. Pier Teresio Arduino, dedicou o nome da marca para sua esposa, Victoria e escolheu o "águia de ouro" como símbolo da marca e que se tornou um icone para esse tipo de produto. A primeira máquina de café da marca, conhecido como "modelo em forma de coluna", foi produzido em cobre e latão, com uma forma cilíndrica.O aspecto formal meramente técnico teve que conviver com uma estética baseada nos princípios funcionais e decorativos da epoca , como se fosse um elemento maciço usado também para catalisar o interesse dos clientes de bar ou cafés. Por razões funcionais, como a caldeira com estrutura vertical em  forma de coluna cilindrica se manteve. O volume polido realizado nele, enriquecido com materiais brilhantes e detalhes decorativos impressionavam os clientes nos locais onde eram colocadas.

Era o marketing que chegava nesse produto peculiar e Arduino foi o pioneiro em contratar  designers, entre  eles, Leonetto Capiello para divulgar a marca. Era um dispositivo realmente impressionante que chegava aos bares e restaurantes italianos. O resultado dessa campanha vitoriosa  foi que a moda de beber café expresso rapidamente se espalhou em todos os cafés e nas pastelarias mais refinadas da Europa. Em 1920, a Victoria Arduino abriu filiais em todo o mundo, e tornou-se cada vez mais conhecida e apreciada no mercado do café. Arduino tambem foi o pioneiro das maquinas individuais de expresso. Mas, como a maioria das plantas industriais italianas, com a eclosão da II Guerra Mundial, a empresa teve de reduzir sua produção, para reiniciar completamente no período pós-guerra. (Figs. 110 a 112)

La Victoria Arduino Mignonne

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Figs. 110 a 112 -  A Mignone de 1909 foi umas das primeiras maquinas individuais de expressso; a primeiras maquinas comerciais tambem seguiam os aspectos formais da La Pavonni e San Marco, mas na continuidade, o Design da marca passou a sobresair das demais, sempre matendo a Aguia como simbolo da marca. Vale notar o mesmo corpo cilindrico da caldeira.

Ao longo do tempo a Arduino desenvolveu tambem suas maquinas em formas estilosas, para acompanhar as demais marcas, sempre com a aguia no topo dos modelos. Outra caracteristica importante da marca foi a introdução  de um recipiente incorporado ao bojo da maquina para armazenar as chicaras quentes e limpas, servidas individualmente. (Figs. 113/114)

  

Figs. 113/114 - As maquinas da Victoria Arduino se notabilizaram pelas formas estilosas e brilhantes. Na segunda imagem, foi incorporada o espaco de armazenar as chicaras para o serviço individual, como num dos modelos mais conhecidos da marca a centenaria Venus.

 

A Victoria Arduino foi tambem uma das primeiras empresas que desenvolveu um aparato horizontal para a base das chicaras e embora conservando o cilindro vertical do boiler, ela antecipou em decadas as maquinas modernas de Café Expresso. (Fig. 115/116)

Espresso Makers 

Figs. 115/116 - A Victoria Arduino antecipou o Design das maquinas modernas de Cafe Expresso de caldeira horizontal com esses modelos,  mistos de cilindro vertical e base das chicaras integrada ao corpo.

 

Outra caracteristica importante do Design da empresa e que ela desenvolveu maquinas domesticas com formatos e medidas das atuais, com Estrutura Formal propria e em modelos com diferentes acabamentos. Ou dizendo em outros termos, a Victoria Arduino praticava um Design de Multivariação Formal restrito, muito antes de qualquer marca e por isso foi realmente inovadora. (Fig. 117)

Fig. 117 - Diferentes versões de acabamento da maquina de expresso Venus domestica; a beleza da simplicidade formal e utilitaria, era a Mutivariacao Formal inovando no Design nessa categoria de uso.

Em 1932 a San Marco, com o modelo 900, mudou novamente o paradigma formal do Design dessas maquinas, embora a Estrutura Formal fosse a mesma: o cilindro central da caldeira, as alavancas e relogios  de pressão e a base da chicaras. Mas a maquina ja tinha um Design limpo, o cilindro não terminava num cone, apesar dos controladores de pressão colocados explicitamente nos tubos de servico e impos uma nova tendencia que prevaleceu  por mais de 10 anos. Ja era uma maquina mais “comercial”, ou seja, mais eficiente para os cafés e restaurantes que serviam o Expresso com um numero maior de chicaras/hora. A partir da 900 e da Venus de uma chicara, a produção das maquinas de café expresso se direcionaram em dois sentidos: o caseiro e o comercial; o cafe familiar, para dentro das empresas e escritorios, pequenos restaurantes e hoteis  e aquelas voltadas para o alto consumo diario. (Figs. 118 a 120)

 

 

 

Figs. 118 a 120 - O Modelo 900 da San Marco (1930-32) que mudou o paradigma formal determinado pela La Pavoni de 1905 e tornou popular esse tipo de dispositivo. Nota-se a boa disposição das alavancas de funcionamento, das bases das chicaras, da ergonomia das alavancas e dos relogios de pressão.

Ate a chegada de novas tecnologias no final  da decada de 1930, as diferentes marcas produziam maquinas com estilos semelhantes,  pronunciando a Similaridade Formal da era globalizada das ultimas decadas do seculo XX e demonstrando que o Design estava a reboque da tecnologia e não evoluindo a partir dela, ate nesse segmento de uso bem particular, fato que não acontece com os objetos de uso que mudaram a historia em termos formais e funcionais, porque eles é que fazem a tecnologia correr atrás. Mas no caso do expresso, a primeira solução formal se tornou o paradigma entre os demais fabricantes e todos passaram a imitar a original. Nas imagens abaixo temos uma amostra dessa Similaridade Formal  do mesmo aparato tecnologico: a coluna cilindrica central de todas as marcas. Como vimos antes, a unica que procurou fugir da mesmice formal foi a Victoria Arduino. (Figs. 121 a 124)

 

  

 

Figs. 121 a 124 – Pavoni,1910; Victoria Arduino, 1910; Minerva,1920; San Marco,1920: parecem farinha do  mesmo saco, ja naquela epoca, quem diria!

 

O CAFE EXPRESSO CREMOSO

No ano de 1938 outro italiano ilustre passou a fazer parte da historia do expressso, Giovanni Achille Gaggia. Dono de um bar em Milão, nascido em 1895 em Milão, estava experimentando pistões de rosca para fazer café e que depois da guerra, tentou o pistão alavanca e funcionou. Outra história diz que Gaggia realmente ja possuía um modelo do pistão com  parafuso e pode mostrar para as pessoas. No entanto, uma terceira história diz que a Rosetta Scorza, a esposa de um inventor, chegou a Gaggia com uma idéia para uma nova máquina.A idéia era um pouco primitivo e quando o inventor morreu, ela o vendeu a Gaggia o modelo, que fez as devidas  melhorias e as máquinas de café expresso  como conhecemos hoje foi inventada. Antes da Segunda Guerra Mundial, ele patenteou e desenvolveu um parafuso de pistão rotativo feito de alumínio e latão, que poderia estar ligado à caldeira das máquinas convencionais.

O vapor tinha sido eliminado do processo de fabricação do expresso, mas a água ainda estava muito quente. Gaggia fez muitas tentativas para fazer o seu trabalho de pistão rotativo, mas houve problemas com vazamentos. Após a guerra Gaggia  começou a  produção novamente com grupos de bronze e de amianto, mas o sistema ainda não era perfeito e ele alterou o pistão rotativo para um sobe e desce da alavanca do pistão que era realmente sua própria idéia. Tanto a patente original de Gaggia como a de Scorza eram totalmente diferentes para a patente de alavanca com mola que Gaggia apresentou em 1947, e foi isso que o café  passou a ser feito num tempo mais curto. Ao usar uma alavanca, a pressão aplicada ao café por uma mola é independente da pressão na caldeira e ao mesmo tempo, a temperatura da água usada tornou-se tambem independente, e isso tornou a filtragem mais forte da torra, mais rápida e mais controlável. Na torra finamente moída, a água era forçada a passar através dela  e na xícara de café veio com um "creme", uma mousse colorida (ou creme), na parte superior. O café foi feito mais rápido e tinha um sabor mais intenso e com aroma diferente. 

Era tudo o que o mercado queria,  no apos guerra avido por novidades tecnologicas. Apesar da aceitação ter sido de inicio lenta,  Gaggia vitorioso, colocou um grande cartaz na vitrine dos cafés e restaurantes onde elas eram instaladas com o titulo: “Caffe crema di caffe naturale” - creme de café  natural.Basicamente  a maquina de Gaggia a pistão e alavanca funciona conforma o esquema baixo. (Fig. 125)

 

Schematic of the Espresso Process

Fig. 125 - O esquema basico das maquinas de expresso manuais modernas.

 

Gaggia não tinha uma fabrica para montar as maquinas, ele só  fabricava os componentes e  embora os modelos  saissem com a sua marca. Em 1952, associado com um fabricante de secadores de cabelos, foi fundada a marca  Faema, passando a fabricar maquinas de expresso com a tecnologia e componentes de Gaggia. Mas nesse mesmo ano, junto com um engenheiro, ele passsou a ter a sua propria fabrica de café  expresso com creme. E então surgiram em 1948 essas novas maquinas com Design diferenciado das demais, exatamente por causa do novo processo de fazer o expresso, agora com agua quente e temperatura controlada misturada a torra sob alta pressão do cilindro com pistão de mola acionado por uma alavanca.

O tradicional formato cilindrico de tubo vertical foi substituido por um corpo volumoso, consequencia da tecnologia desenvolvida por Gaggia e que passou a ser a referencia formal das futuras gerações dessas maquinas de expresso.

Fora a primeira e real novidade no preparo do café, alem do preparo super rapido, o sabor com um creme por cima da infusão, era totalmente novo. As grandes alavancas surgiram para  mostrar o novo modo de fazer o expresso, aliás, um novo expresso. (Figs. 126/127)

 

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Figs. 126/127 - Do formato cilindrico com tubo vertical ate o final da decada de 1930, passou para um corpo cilindrico unico As grandes alavancas expostas no corpo da maquina davam o diferencial na forma e indicavam a função. A maquina individual uma preocupação efetiva no apos-guerra tambem incorporou o formato cilindrico com alavanca e cabeça a da torneira em balanco sobre a base da chicara, como na Gaggia Aquille Lever (a direita), paradigma formal das maquinas individuais até  hoje.

 

Mas no mesmo de 1948, a La Pavoni apresentou a sua primeira máquina com caldeira horizontal desenvolvida no ano anterior, com Design de Gio Ponti, Fornaroli e Antonio Alberto Rossell, a conhecida “La Cornuta”  e novamente o paradigma formal e funcional mudou. (Fig. 128)

 

 

Fig. 128 - Um novo  paradigma formal e funcional foi introduzido em 1948 com a maquina da Pavoni de boiler horizontal, com Design de Gio Ponti.

Logo as diversas marcas passaram a adotar o novo boiler ou caldeira horizontal, muito mais adequada para o uso comercial, pois as manetas e alavancas de pressão ficavam localizadas em sequencia horizontal  e isso possibiltava o aumento de produção do expresso, como tambem dava um novo formato  para as maquinas domesticas. (Figs. 129/130)

 

 

 

 

Figs. 129/130 - O novo formato horizontal se tornou o mais apropriado para as novas de expresso cremoso, mas o precesso antogo tambem adotou o formato, com a Faema (segunda).

 

Mesmo se voltando para as maquinas comerciais as diversas marcas viram no mercado domestico um grande potencial e  em 1948 foi lancada a "Gaggia Gilda" considerada como a primeira tentativa de criar uma máquina de café expresso cremoso em casa, e o primeiro passo para a produção em escala industrial de máquinas de café não-profissionais. Em 1977 a GAGGIA passou a produzir industrialmente de máquinas de café expresso domesticas  com a estréia do BABY GAGGIA, que estava prestes a se tornar a máquina de best-seller e um símbolo de status nesse segmeto. Ao longo dos anos, essa estrategia se justificou, como veremos nas imagens posteriores das maquinas automaticas tanto domesticas quanto para escritorios. (Figs. 131 a 134)

  

     

 

 

Figs. 131 a 134 - A Gaggia ferroviaria de 1948 e a famosa Gilda desse mesmo ano; e dois modelos La Pavonni Stradivari , maquinas de uso particular ou domestico.

 

Mas nas maquinas comerciais os modelos das diversas marcas os boilers horizontais prevaleceram e o formato prismatico possibilitou a inclusão de um espaço maior para guardar as xicaras quentes e limpas, ja tentado nos modelos tradicionais com formatos cilindricos, alem de aumentar a produção de xicaras/hora. (Figs. 135/136)

 

   

 

Figs. 135/136 – As novas maquinas prismaticas que romperam o paradigma formal de corpo cilindrico: a Athena da Victoria Arduino e as  classicas Gaggia da familia Gilda da decada de 1950 de alta produção que foram exportadas e difundiram a cultura do expresso nos EUA pelo seu Design espetaculoso.

 

E com este novo formato, no decorrer da decada de 1950, em plena euforia do consumo em massa do pos guerra, as maquinas italianas passaram a ser exportadas para o mundo  todo, principalmente para o mercado americano, onde os modelos seguiam a ostentação dos carros americanos “rabos de peixe”.  Os modelos pequenos passaram a ter formas inusitadas, fugindo da aparencia tecnica e as de grande produção tinham linhas tipicamente  americanas da epoca do superfluo formal, no exagero dos detalhes funcionais e do emprego de materiais brilhantes. (Figs. 137 a 142)

 

  

 

Figs. 137 a 139 - Faema Urania, 1955; Rancilio Ducale, 1957; e a San Marco Lollobrigida, 1955, em homenagem a atriz Gina Lollobrigida, vejam só !

 

  

 

 

Figs. 140 a 142 - A primeira maquina exportada para os EUA em 1950 foi a Gaggia Esportazione, a esquerda; o exagero formal continua durante a decada com a La Pavoni-odello Concorso de Enzo  Mari e Bruno Bunari de 1956 e chegou ao auge na sugestiva forma de grade de radiador dos carros americanos “rabos de peixe” com a Faema Tartaruga de 1959.

 

Um aperfeiçoamento foi introduzido nas maquinas de boiler horizontal em 1961 pela Faema com a máquina de pistão-bomba  e tornou-se o projeto o mais popular nos locais de café comercial. Em vez de usar a força manual, uma bomba a motor fornecia a força necessária para a preparação  do café, com a agua armazenada num recipiente integrado ao corpo horizontal. (Figs. 143 a 145)

 

 

 

 

Figs. 143 a 145 - Os primeiros modelos da famosa  Faema E61 de 1961 de 1 e 2 chicaras e a geração posterior. O sistema E61 foi o primeiro a utilizar um trocador de calor (caldeirinha em italiano “scambiatore”), e uma bomba rotativa. Esse sistema substituía a alavanca de pressão utilizado para fazer o café expresso.

E com a chegada da modernidade na transição dos anos 1960s para os 1970s,  as maquinas de expresso manuais entraram definitivamente na era da globalização que aconteceria nas decadas seguintes e o Design se incorporou a elas, e como não podia deixar de ser, veio com a padronização formal, como tudo que acontece hoje no ramo dos eletrodomesticos. Não importa a função, se para fazer o expresso ou o cappuccino as maquinas adquiriram o formato prismatico e atingiram um nivel de Similaridade Formal tão alto que a primeira vista  não sabemos de quem e a marca, embora o estilismo as tornem diferentes formalmente.

Quantos aos autores podemos esquecer, o designer nao importa, a marca sim. O marketing, a publicidade e as vendas estão na primazia. O Design é uma ferramenta para  tornar isso possivel, ou seja, a partir de uma Estrutura  Formal definida em função da tecnologia estabelecida, todas as marcas aparentemente se diferenciam visualmente. No entanto, alguns modelos sejam tao bem desenvolvidos formalmente que o Design consegue superar a mesmice. (Figs. 146 a 149)

 

 

 

  

 

 

Figs. 146 a 149 -  La Pavoni Lusso;  Scala Butterfly, Krups Allegro e Cuisinart: embora com a mesma Estrutura Formal, alguns modelos tem um diferencial mais chamativo, devido principalmente a simplicidade do Design, nas linhas formais e na limpeza do superfluo, independente do tipo de operação do aparato.

 

A Estrutura Formal é  a mesma: um corpo unico com a cabeca em balanço onde se localiza a alavanca, a base das chicaras, painel de instrumentos frontal e porta-chicaras. Mas é ai que  o estilismo entra na onda do Design, com modificações nos angulos das arestas, formatos esquisitos e apelos visuais nos detalhes de funcionamento. (Figs. 150 a 153)

 

 

   

  

Figs.150 a 153 - Rancilio Sylvia, Gaggia , Nuova Simonelli Oscar e FrancisFrancis: na tecnologia, na cor e no aspecto formal, são bonitinhas como irmãs vestidas com a mesma roupagem.

 

Ainda bem que existe vida inteligente nesse segmento de uso e a criatividade explode em soluções formais nunca imaginadas para  tais aparatos de fazer o expresso de forma manual ou automatica para o ambiente domestico. Formas coerentes com a função  ou simplesmente bizarras, o Design da Cultura do Café  não  se restringe ao aparato funcional de preparo, vai mais longe e ousa. (Figs. 154 a 157)

 

 

 

 

Figs. 154 a 157 - Vincent Palick, Airlux, Saeco e Nespresso, modelos que procuram fugir do lugar comum da forma das maquininhas domesticas de expresso.

E nas maquinas de expresso comerciais o Design tambem se manifesta quando lembram que ele existe para renovar constantemente a forma na função nessa utilidade especifica. Desde as mais antigas ja se via a preocupação de dota-las de um aspecto que fugisse da forma tecnica, seja por meio de carenagens para esconder os elementos de funcionamento, seja em recobri-las de um revestimento em torno do mecanismo geral de funcionamento e seja atraves do estilismo formal. Em qualquer dos casos, o que importa é ver o Design atuando ao longo do tempo no desenvolvimento nesse segmento de uso e sempre procurando a renovação formal. O Design da maquina  comercial  de café expresso em todos os niveis de operacionalidade, já não precisa ser mais uma maquina produtora de café, mas um objeto de uso do cotidiano e até  signo formal de uma cultura. (Figs. 158 a 161)

 

   

Figs. 158/159 - Carenagem sobre as partes complementares do corpo, revestindo o aparato por uma forma adequada e expondo dos elementos e detalhes funcionais: Barista e La Pavoni

 

 

Figs.160/161 - Simonnelli e Excelsior Brasilia: inovando formalmente no aspecto do corpo da maquina ou pelo estilismo formal, vale tudo, é o Design atuando em varias alternativas formais nas maquinas comerciais de expresso.

 

Nos anos 1990s, em plena era da globalização dos mercados e produtos e o inicio da computarização e digitalização em massa, as novas tecnologias chegaram aos modos de preparo  do expreso. Como consequencia, veio o automatismo das maquinas  junto com os saquinhos (refis os saches)  de torra extremamente moida e o Design, como filho bendito da tecnologia passou a assumir um  papel importante. O que diria Bezzera e Pavoni se as vissem hoje funcionando com simples apertar de um botão ou um leve toque num icone digital.

Tres modos de funcionamento existem hoje e todos funcionam baseados nos mesmos principios: a maquina semi-automatica com a tradicional alavanca de prensagem, usa uma bomba ao inves da força manual para a combinação exata entre o volume de agua necessario com a quantidade da torra. e com a pressão liberada por meio de uma valvula de tres vias; as automaticas tem um medidor automatico de controle de vazão da agua, com a prensagem e moagem manuais;  e as super-automaticas fazem todo o processo de moer, socar e extrair o café mediante toques nos botões de programação, com a agua conectada diretamente de uma rede ou  colocada manualmente no recipiente. (Figs. 162/163)

 

 

Figs. 162/163 -  As imagens mostram as partes basicas de funcionamento da Gaggia Baby Twin semi-automatica e da automatica Gaggia Titanium.

 

As maquinas comerciais de expresso prezam pelo semi-automatismo para manter viva a memoria do preparo dos antigos aparatos, os comerciantes de bares e restaurantes fazem questão de mostrar para os clientes o cafe feito na hora pelo operador. E até  os chineses entraram na onda,  como era de se esperar. (Figs. 164 a 166)

 

   

 

Figs. 164 a 166 - As maquina comerciais semi-atomaticas: A La Pavoni Pub Range e  chinesas Auplex e LaDeTina.

 

Mas no ambiente domestico e particular dos escritorios e lojas, o segmento das pequenas maquinas de produção individual se tornou o  maior mercado no mundo nessa cultura centenaria, parece que todos agora querem beber o café  expresso, simbolo de estatus e afirmação social. Um exemplo disso é mostrado abaixo, em apenas uma empresa,a inglesa Delonghi, produz varios  dessas maquinetas em todos os niveis de funcionamento, das manuais as super-automaticas,  mantendo a identidade e coerencia formal entre os produtos. É mais uma das vertentes da cultura italiana exportadas para o mundo todo: o Expresso está para a bebida assim como a Pizza está para a comida. (Fig. 167)

 

Fig. 167 - Os varios modelos da DeLonghi mantem a mesma Estrutura Formal das maquinetas de expresso domestico e particulae, em todos os niveis de funcionamento.

 

E então o Design se fez presente com toda a sua  pujança e criatividade;  a loucura e a ousadia formal passaram a conviver com a praticidade e a inovação nas maquinetas domesticas de fazer Café  Expresso, sejam manuais ou automaticas. É o seculo XXI da tecnologia e do Design chegando ao individuo. (Figs. 168 a 174)

 

A forma tradicional e apenas sugerida, vem de uma brincadeira formal, mas qualquer pessoa de bom senso diria que ha algo novo nelas, como nos modelos abaixo:

 

 

  

Figs. 168/169 - Parece ser e de repente é, a ousadia e a brincadeira formal chegaram enfim nas maquinetas de expresso, como a Elektra Nivola e a Helium.

 

Sugerindo uma forma nova no tradicional,  e inovando no uso ou totalmente nova  no uso e na forma, outras se apresentam:

 

 

 

  

 Figs. 170 a 172 - A Caffe Inn do designer frances Charles Teyssier, na interessante Odea GiroPlus e na Atomic que procura restaurar a forma das tradicionais percoladoras mas com um Design inovador.

 

Ate chegar a cozinha domestica como qualquer outro eletrodomestico,seja como um objeto a mais no contexto arquitetonico ou incorporado a parede como  qualquer forno e quem sabe, ate lembrar o signo maior de todos os apetrechos domesticos, o aparelho de TV. Nem parecem maquinas de expresso, é outro papo, é um novo conceito de Design. (Figs. 172/173)

 

 

Figs. 173/174 - A Nespresso super-automatica  e um eletrodomestico que ninguem sabe para que serve, é coisa nova e só  se descobre usando; já CDA CVC10 parece um forno digital de parede com identidade visual de um aparelho de TV.

 

O DESIGN LIMPO – ENFIM E POR FIM:  AS ECO-MAQUINAS

E como não podia deixar de ser, as maquinetas de Café  Expresso ingressaram na nossa epoca de preocupação com o futuro do planeta, afinal de contas, até  essa centenaria cultura pode um dia desaparecer se o Design Limpo não atuar, mas os tres exemplos abaixo buscaram isso, são de empresas e designers responsaveis e antes de tudo, criativos. (Figs. 174 a 176)

 

 

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Figs. 175 a 177 - A Presso não precisa de eletricidade é alimentada por agua quente de fonte externa; a Natural do designer Adam Zerbib é uma maquina maior feita de material limpo e consume o minimo de agua e energia eletrica  e a pequena IMO de Alisson Wilson tambem eletrica foi pensada para o consumo individual, maximizando o uso dos saches e minimizando o consumo de agua e eletricidade.

 

E ASSIM REVERENCIAMOS O DESIGN DESSA CULTURA MUNDIAL AO LONGO DA SUA HISTORIA

 

 

 

Figs. 178 a 181 – A linda e diferente Elektra da Victoria Arduino, no modelo antigo e o moderno; a simplicidade formal e funcional da Snider de 1930; a velha Gaggia, a pioneira que introduziu a cultura do expresso nos EUA; e estranha, mas viva, Espressione.

 

(*) REFERENCIAS (consulte tambem as referencias da Parte 1)

LIVROS

Edward & Joan Bramah.  Coffee Makers - 300 years of art & design.  (Quiller Press, Ltd., London. 1995)

Carroll Gantz.  100 Years of Design - A Chronology 1895-1995.   (Industrial Designers Society of America. 1996)

Corby Kummer.  The Joy of Coffee.  (Chapters Publishing, Ltd., Shelburne, VT. 1995)

Mark Williams.  Expo Archive: 1939-40 New York Worlds Fair.  (World Wide Web)

United States Patent & Trademark Office.  (World Wide Web)

SITES

http://caffettiera.altervista.org/

http://www.cofei.com/culture/history-of-making-better-coffee-brewers.html

http://www.euroespresso.com.au

http://www.espressomadeinitaly.com

http://www.flickr.com/photos/21971447@N04/

http://espressomachinesguide.com/brand/la-pavoni                               

http://www.homeqn.com/entry/coffee-machines-that-add-luxury-to-perfection/

www.associatedcontent.com

www.italiankitchenaids.com

www.ezinearticles.com

www.appliancist.com

www.coffeesnobs.com.au

www.espresso.com

www.aabreecoffee.com

http://www.jitterbuzz.com/i

www.automaticcoffeemakerstogo.com

www.web-books.com

www.enow.com

http://www.espressotec.com

http://www.coffeesource.in

https://billvaz.wordpress.com/category/automoveis-tecnologia/page/4/

www.coffeeum.com/preparation-of-the-universal-beverage-

 

1. "História da Cafeteira por James Grierson" ^. Gallacoffee.co.uk. http://www.gallacoffee.co.uk/acatalog/History_of_the_Cafetiere.html. Obtido 2009/12/23.

2. Davids ^, Kenneth (2001). Café. Macmillan. ISBN 9780312246655.

3. Millman ^, China (2009/04/23). "Refrescar-se; Técnicas Brewing Manual de amantes do café, uma maneira melhor para fazer uma bebida de qualidade". Pittsburgh Post Gazette (Pensilvânia). http://www.post-gazette.com/pg/09113/964681-51.stm. Obtido 2009/06/16.

4. Rinsky ^, Halpin Laura (2008). O companheiro do Chef de Pastelaria. John Wiley and Sons. p. 119. ISBN 9780470009550.