POLTRONA MOLE, 1957: a redenção do Design brasileiro e a madeira elevada ao mais alto grau de beleza formal
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Fig.1 - Poltrona Mole, 1957

Fig.2 - Poltrona e banco Tonico, 1963

Fig.3 - Poltrona Leve Kilin, 1973
Fig.4 - Cadeira Katita, 1997

Fig.5 - Poltrona Diz, 2001
Uma onda nova que surgiu no final dos anos 1950, fez o Brasil mudar e ser conhecido no exterior, não apenas como um pais tropical da republica das bananas de Carmem Miranda e dos indios amazônicos. Parece que tudo veio ao mesmo tempo na arte e cultura. Com a benéfica onda veio a Brasilia de Oscar Niemeyer, a Bossa Nova de Jobim e Vinicius, o futebol de Pelé campeão do mundo,a industrialização de Juscelino. E no Design brasileiro, surgiu em 1957, a Poltrona Mole de Sergio Rodrigues.
Sergio fundou em 1955 a Oca, no Rio de Janeiro, um misto de loja, estúdio e galeria, em pleno centro da efervescencia cultural de Ipanema e assim se fez o Design brasileiro.
A Oca ofereceu importantes contribuições para impulsionar a criação de novas formas e concepções para o Design de móveis e oportunidades para os jovens designers. Nas décadas de 1950 e 1960 Sergio realizou vários estudos sobre os elementos utilizados na fabricação de móveis, produziu e comercializou o Design brasileiro e participou de projetos utilizados por instituições de renome situadas em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, além de exposições realizadas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no MASP.
A Poltrona Mole não apenas por ter ganhou Concurso Internacional do Móvel, em Cantù na Itália, no ano de 1961, - o primeiro dado a um designer brasileiro no exterior -, mas ´porque ela é realmente um móvel de madeira diferente dos que foram criados desde o marco inicial dado por Thonet, cem anos antes dela. O interessante é que a Poltrona Mole foi criada na mesma época da Poltrona Lounge dos Eames, outro icone do Design moderno.
Sergio Rodrigues construiu uma linguagem muito particular no Design. Suas poltronas e cadeiras romperam com o sentar elegante e bem-comportado da caretice burguesa do pós- II Guerra, com os moveis de estilo francês de Beranguer e alemão de Stiller, seguido pelo barroco colonizador português. A Poltrona Mole, como o proprio apelido diz, antecipou a informalidade do sentar e do modos de vida dos jovens da classe média intelectualizada nos anos 60, quando os almofadões se espalhavam pelo chão.
Era para sentar-se, refastelar-se, deixar rolar, seja o que Deus quiser, em cima daquelas almofadas revestidas em couro natural, bem apropriadas para o clima e o jeitão brasileiro de ser.
Além disso, ele foi agressivo em suas propostas formais, pois não aceitou mais o imperativo vigente dos moveis “pés de palito” do começo dos anos 1950, vindos basicamente do Design popular americano. A Poltrona Mole surgiu robusta, com estrutura e pés arredondados e grossos, suavizados pelas almofadas revestidas de couro natural em gomos, simplesmente jogadas em cima das tiras do asento edos braços. Gênio! (Fig.1)
Usando materiais naturais como revestimento e estruturas de madeira de lei dos anos 1960s (basicamente do quase extinto jacarandá) foram trocadas por madeira certificada e liptus dos ultimos projetos, como uma atitude de reverenciar sem agredir o meio ambiente, mas sempre ornados de modernidade e de Design próprio e original,sem dar muita importancia ao que é feito no exterior. Suas criações tem graça, harmonia e são essencialmente alegres, quase barrocas no sentido do dinamismo do movimento junto com o triunfo da linha curva e da captação das reações emocionais humanas.
Ao lado da aparente austeridade da Poltrona alcochoada Tonico de 1963,(Fig.2), pula-se dez anos depois para a beleza formal e marcante da Poltrona Kilin (Fig.3), vai-se à graciosidade Cadeira Katita de 1997 (Fig.4) e chega-se a um ponto do belo percurso do Design de Sergio Rodrigues com a Poltrona Diz de 2001, um movel lindo de construção magistral com uma semi-concha de compensado moldado preso à estrutura de fortes linhas encurvadas.(Fig.5)
O movel brasileiro nunca mais foi o mesmo, independente dos premios recebidos por Sergio Rodrigues e até de não ser citado em algumas publicações de Design, como o livro “1000 chairs” que de tanta cadeira inexpressiva mostrada em cores retumbantes, não aparece a Poltrona Mole em suas 800 páginas. Dane-se, eles não sabem o que perderam! Pelo menos temos o consolo das palavras de Sergio Rodrigues:
“Sejamos criadores de tendência para que o nosso design tenha características que o identifiquem como um produto brasileiro"
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