PRESENÇA HISTORICA DA ESTRUTURA FORMAL CRUZADA EM X – PARTE 2
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A INFLUENCIA DA ESTRUTURA CRUZADA EM X NA ASIA
Uma peça interessante veio do Sudão e se popularizou no restante do mundo, com sutis variações formais e muitas vezes com detalhes em relevo e no desenho modificado das duas peças. Trata-se de um assento baixo feito de duas peças maciças de madeira fixadas por travamento ou moveis por meio de dobradiças feitas com o encaixe das duas peças. È um modelo que foge de qualquer esteriotipo formal do sistema estrutural em X. É uma solução formal que permite multivariações modelares dos mais diversos tipos, basta modificar o formato das duas peças que se cruzam e isso demonstra a capacidade multivarida desse Estrutura Formal.(Figs. 57 e 58)


Figs.57 e 58 - A cadeira sudanesa em X não se enquadra em qualquer tipologia nessa categoria de moveis, seja ocidental ou oriental. Tem um desenvolvimento formal original e inusitado, e por isso mesmo, ganhou incontaveis versões formais em diversos paises.
Na Asia a Estrutura em X não existia originalmente, provavelmente pela inexistencia dessa grafia no vernaculo asiatico ou ausencia da simbologia expressa pela cruz cristã. Acredita-se que essa estrutura entrou na China por favorecer a mobilidade das tribos nomades e ser dobravel e facil de guardar. Não aparecem modelos com o X frontal. A “Hu-ch’uang” ou assento dobravel, foi introduzido no segundo seculo depois de Cristo, pelo imperador Lingdi que era fascinado pelas coisas ocidentais. Os comandantes militares passaram a usar o movel dobravel e depóis se tornou comum em longas viagens, expedições e caçadas, quando eram guardadas em casa e só retiradas para esses usos especificos. Na dinastia Tang que prevaleceu entre 618 e 906 DC, o assento em X se popularizou no banco “Mazha” , um modelo leve e simples feito de bambu ou madeira leve que se articulava por meio de uma haste de madeira e com os assentos feitos de cordões ou tecidos.(Fig.59)

Fig. 59 - O popular banco Mazha chinês com assento de tiras trançadas de tecido durante a dinastia Tang (618 a 906 DC); é evidente a semelhança com o Design ocidental.
Embora introduzida pelo Ocidente a Estrutura Cruzada em X , a Cadeira Hu-ch’uang”, - sempre com a estrutura Cruzada na lateral- ganhou novos formatos e configurações de uso nas culturas chinesa e japonesa e passou-se a se chamar Chiao ch'uang durante a dinastia Sui (589-618 DC).Ela era feita de bambu ou madeira com a relaçâo assento-encosto de tecidos, couro ou ratan. A curiosidade dessa versão modelar chinesa é o apoio para os pés, uma especie de banquinho colocado a frente da base do X. Era um modelo que não tinha similar no Ocidente e foi tão expressivo o seu Design inovador que depois voltou para a Europa, influenciando a cultura ocidental no desenvolvimento do Design desse segmento de uso, como as espreguiçadeiras ou cadeiras de praia ostensivamente usadas em variadas versões modelares em todos os paises litoraneos. (Figs.60 a 62)
Fig.60 - A famosa e difundida poltrona dobravel Hu-ch’uang, depois denominada de Chiao ch'uang, mais parece uma chaise lounge.
E influenciou o Design no ocidente e o uso nessa tipologia estrutural e determinou o surgimento no final do seculo XIX das conhecidas e muito usadas “cadeiras de praia”. (Fig.61)

Que depois foi evoluindo para a simplicidade formal e construtiva, como essa totalmente feita de bambu e um dos modelos basicos mais copiados e desenvolvidos com Semelhança Formal no mundo inteiro.(Fig.62)

Fig.62 – Uma cadeira de praia de bambu, um dos modelos mais copíados do mundo.
Ao longo do tempo e devido ao ganho de prestigio social os modelos Hu-ch’uang evoluiram em termos de Design e construção.Além do banquinho de apoio para os pés duas grandes inovações formais foram acrescentadas: o apoio para a cabeça e o formato expressivo das pernas do X. (Fig.63)

Fig.63 - Fantastico exemplar da Hu-ch’uang: lisura formal, ergonomia, leveza e conforto. Nota-se as duas pernas laterais do X recurvada para cima, mudando as caracteristicas formais desse segmento de uso.
Mas a evolução formal não parou ai e a Hu-ch’uang evolui para a "Huanghuali durante a dinastia Song (960-1279 DC) e posteriormente tornou-se extremamente popular entre os seculos XIV e XVIII na dinastia Qing. Os modelos variavam entre a simplicidade formal, com construção em madeira até o requinte das versões em bronze trabalhado. A evolução formal foi tão intensa que as diversas versões modelares influenciaram o Design ocidental desse segmento de uso no seculo XIX. (Figs.64 e 65)

Fig.64- A popularidade se manifestou ostensivamente devido a simplicidade formal e construtiva alcançada pela Huanghuali no grande periodo de tempo entre os seculos XIV e XVIII.
Fig.65 - Mas a simplicidade formal da cadeira convivia com o esmero construtivo e a a beleza da forma tipicamente chinesa, em plena era dos complicados estilos europeus de mobiliario.
A grande dinastia chinesa Ming (1368 a 1644) originou um dos maiores períodos de organização governamental e estabilidade social na história da humanidade e com grande intercambio comercial com os paises europeus, e a cadeira em X não podia de ter um desenvolvimento formal de acordo com a epoca. A lisura formal se unia a beleza dos detalhes com relevos nos encostos, sutilezas dos assentos e braços em balanço.(Fig.66)

Fig.66 - A beleza formal da Estrutura Cruzada em X da dinastia Ming.
Enquanto isso ocorria na China, o vizinho Japão dava a sua contribuição para a cultura já secular dos moveis com Estrutura Cruzada em X. Na verdade era uma continuação das versões chinesas com pontadas de exclusividade formal da cultura japonesa. Os bancos japoneses foram muito cultuados pelos guerreiros samurais e monges religiosos. Eram conhecidos como “ Sho-gi” e eram de exterma simplicidade formal e construtiva, e a exemplo dos bancos chineses, sempre tinham o apoio frontal dos pés, com o X lateral. (Figs.67 e 68)


Figs.67 e 68 - Os modelos de bancos “Sho-gi”, o movel de sentar corriqueiro dos samurais.
As cadeiras Kyokuroku seguiam o Design das originais chinesas Huanghuali com sutis diferenças formais. Elas tinham uma importancia social muito grande e era considerado uma honra usa-las em publico ou no interior das residencias, onde eram oferecidas para os convidados. (Figs. 69 e 70)


Figs.69 e 70 - As cadeiras chinesas Huanghuali , com ou sem braços, tiveram continuidades formais dignas da cultura japonesas e se transformaram em ferro e bronze nas Kyokuroku, usadas pelos ricos, nobres e religiosos.
O alcance de uso desse tipo de cadeira foi tão grande que os japóneses ampliaram o numero de lugares, conservando a simplicidade formal e a riqueza dos detalhes para enaltecer a sua importancia. O duplo X lateral da estrutura se tranformou em tres ou mais, conforme a sua função de uso.(Fig.71)

Fig.71 - Cadeira para dois lugares que ocupava o lugar de honra numa sala de visitas japonesas no seculo XVII.
A GENERALIZAÇÃO FORMAL E DE USO NO SECULO XX
Enfim chegamos ao seculo XX e o Design Moderno foi fiel colaborador para o desenvolvimento generalizado das estruturas cruzadas em X nas cadeiras, bancos, chaises lounge, como tambem dos mais variados tipos mesas. A vida moderna implicava em maior consumo e consequentemente maior produção de todas as categorias de objetos de uso. Tudo se voltava para o pratico, barato, facil de comprar e usar, da maior variedade de itens, maior volume de produção e mais ainda, do surgimento de objetos descartaveis que possibiltassem a reposição de novos modelos de utilidades. O Design assumiu os seus ares de simplicidade formal para atender o consumo em massa. As cidades começaram, a inchar pelo aumento populacional e os espaços de moradia se torrnaram cada vez menores e para atende-los convenientemente era preciso de moveis praticos, baratos e faceis de embalar e transportar.A partir da segunda decada do seculo XX, começa a surgir bancos e banquetas da mais variadas formas e os que tinham estruturas em X dobraveis, ganharam uma boa faixa. desse mercado promissor. Surgiram tantos exemplos que nem precisavam de um designer para ser desenvolvido, produzido e vendido. A presença dessa Estrutura Formal classica, que se arrastava desde a Antiguidade como icone e simbolo do poder, perdeu um pouco da sua importancia durante os seculos de predominio dos estilos reais ou fantaciosos do mobiliario historico (do seculo XVII até uma parte do XIX), voltou a ter um olhar mais amplo a partir da segunda parte da Revolução Industria europeia e agora com o poder da produção industrial ostensiva e da mudança dos costumes e principalmente pelos novos conceitos formais ditados pelos movimentos esteticos do Design, se proliferou como quaqluer outra Estrutura Formal de mobiliario.
Um segmento em particular se destacou, o dos banquinhos dobraveis, justamente porque eram faceis de se construir, produzir e ofertar num mercado avido por coisas praticas e baratas. (Figs. 72 a 75)

Fig.72 - Banquinho simples com estrutura em X reta, 1920

Fig.73 - Propeller, Kaare Klint, 1927, esse tem nome e autor, mas deve-se prestar atenção ao sutil desenho das pernas.

Fig.74 - Esse não precisa de nome nem autor, qualquer pessoa pode faze-lo; mas data de 1930

Fig.75 - Banquinho de bambu, vale para qualquer país e epoca.
E até ganharam reproduções dos bancos da antiguidade.(Figs. 76 e 77)


Figs. 76 e 77 - Reproduções modernas dos bancos etruscos e egipcios.
As cadeiras dobraveis com estrutura Cruzadas em X tambem se proliferaram devido a maior oferta de serviços, como essas de uso exclusivo nos navios, campings e jardins residenciais.(Figs. 78 a 80)
Fig.78 - Cane Boat, anônimo, começo do seculo XX.
Fig.79 - Cadeira para navio, anônimo, primeiras decadas do seculo XX.
Fig. 80 - Cadeira para navio e acampamento, anônimo, seculo XX.
Mas não foi só de banquinhos e cadeiras em X que nas primeiras decadas do seculo XX surgiram na proporção dos aumento de produção e consumo de todos os bens e serviços. Um outro segmento que já vinha acontecendo desde o seculo XIX com forte presença foram as espreguiçadeiras ou chaises lounge. A tecnologia favoreceu uma nova vertente de uso no mobiliario, o do lazer e o turismo e por essas novas ofertas vieram novos tipos e modelos de moveis com Estrutura Cruzada em X. (Figs.81 e 82)


.Figs. 81 e 82 - As interessantes e simples em construção e Design espreguiçadeiras que surgiram no final do seculo XIX ( a imagem de cima é de um modelo usado nos transatlanticos em 1850) vieram para ficar de vez.
POR EXTENSÃO
Como espreguiçadeira é um termo geral que representa um movel alongado e com angulos e medidas ergonomicas que permitem uma postura de descanso e relaxamento, um subsegmento dessa utilidade, as “cadeiras de praia” surgiram sob influencia oriental, como já dissemos anteriormente e resurgiram com toda a força a partir da terceira decada do seculo XX, quando os habitantes e turistas das grandes cidades litoraneas passaram a ir a praia como mais uma forma de lazer. Para atender exclusivamente esse novo costume que implicava em passar varias horas sob o sol, as cadeiras de praia emplacaram mais um segmento de desenvolvimento do Design. Não só de Estrutura Formal Cruzada vive a tais cadeiras de praia, mas nela se mantem por questões historicas, pela praticidade, custo e facilidade de construção. O interessante é que mesmo tendendo para a Semelhança Formal, por força da criatividade, tecnologia e cultura em Design, as cadeiras de praia se afastam entre si e sempre buscam novas configurações formais. É um segmento que não para e constantemente se renova no Desig contemporaneo. (Figs.83 a 87)
Brigam entre si por sutis diferenças formais

Fig.83 - Gorifiti

Fig.84 - Sem autor
Aproximam-se em forma, mas se destacam em material e feitura. (Figs.85 e 86)


Fig.85 - Sem autor; Fig.86 - Bambu, sem autor.
E brilham em soluções inusitadas, conceitos formais e construtivos e se destacam pelo Design contemporaneo. (Figs. 87 e 88)

Fig.87 - Kasuart

Fig.88 -Tramontina
E acabam virando tão comuns que se perdem nas areias quentes da praias do mundo, sem ilusões nem autoria só para proclamar que o Design é de qualquer um. (Fig.89)

Fig.89 - Modelo comum a todas as praias do mundo, sem autoria nem exclusividade formal e de uso.
BAUHAUS E CIA
A mais festejada epoca do Design historico foi entre os anos que antecederam o nascimento da Bauhaus e até o inicio da segunda grande guerra. Os diversos objetos de uso da categoria “sentar” da era Bauhaus foram os que mais marcaram essa epoca, como as cadeiras , poltronas, bancos e chaises lounge. E como não podia deixar de ser, as cadeiras e poltronas com Estrutura Cruzada em X . Então rolou peças interessantes baseadas principalmente na tecnologia do tubo de aço, simbolo maior dessa era de afirmação do Design, principalmente relacionada a experiencia formal, ao ensino e a funcionalidade do objeto enquanto uso. Mas as cadeiras em madeira também tiveram vez e afirmaram a modernidade nesse segmento de uso, onde foi introduzido os sulcos laterais por onde correm os pivos que permitem o movimento de dobrar, mudando tradicional dobragem feita por pivôs; (Figs.90 a 91)

Fig.90 - D4, Marcel Breuer, 1926

Fig.91- Bodo e Heinz Rasch,1927, um exemplo de modernidade de composição e feitura nessa cadeira em madeira. Os sulcos laterais permitem a dobradura da peça, mudando a tecnolgia de dobragem e um recurso bastante usado hoje em dia.

Fig.92 - Marcel Breuer, 1928, o velho mestre não esqueceu do X e criou essa cadeira simples de morrer e bela de viver.

Fig.93 - Alfred Arndt, 1929-30, uma cadeira Bistrô revisitada, mas sempre uma Bistrô.

Fig.94 - Gabriele Mucchi, 1939; a famosa estrutura tubular novamente se manfestou nessa cadeira esquecida na histori do Design, mas fantastica enquanto dura.
Enfim chegamos a epoca contemporanea e a modernidade do Design tecnologico para atender o alto consumo da economia globalizada. Tudo que se faz é para atender a todos que possam comprar em qualquer lugar do mundo. E a cadeira ou banco com Estutura Cruzada em X se tornou um desses objetos para tudo e todos. Virou icone, virou Design.
A cadeira Bistrô foi um dos itens da tipologia da já vasta tipologia da Estrutura Cruzada em X que se manteve atenta e util, com inumeros exemplos de Bom Design. As antigas cadeiras que não foram projetadas para atender o uso especifico dos cafés parisiences, acabaram por determinar um novo segmento de uso e como as vezes ocorre no Design, o uso se identificou com a intenção e o que era um simples modelo para um determinado uso, passou a ser o proprio uso e forma se mesclou com a função. E ao longo do seculo XX, surgiram modelos interessantes e proprios para a finalidade e para qualquer ambiente. E o Design virou cultura.
O interessante no caso especifico da Estrutura Cruzada em X é que descobriram que não diferenças substanciais, tanto em forma quanto em construção, numa cadeira Bistrô em metal ou madeira. O que podia ser feito com um material, podia-se com outro. Alem disso, podia-se conservar a mesma forma da estrutura e variar no formato dos assentos e encostos. Isso é uma coisa fantastica no Design, porque além de oferecer mais opções formais, a tecnologia era o que menos importava, o Design Multivariado sim. (Figs.95 e 96)

Fig.95 - Cadeira de campanha militar, mas que podia ser dos bistrôs da vida.

Fig.96 - Flic, de James Irvine, 1999 é outra do tipo Bistrô; de tão simples em Design que parece como tantas outras. Mas não é!
Mas a saga continuava na simplicidade formal e garantia que essa estrutura Formal milenar é tão vasta que a repetição se confunde com as opções de desenvolvimento modelar, é extremamente multivariada embora não pareça. Pode ser de um designer famoso ou de uma empresa conhecida pelos bons produtos de uso; pode ser de um anonimo ou ter um solução formal tão simples que se confude com outra encontrada na loja da esquina, e pode ser elaborada com mais profundidade só para dizer que é diferente. Como tambem ser tão bem elaborada e bem feita que faz sucesso, vende muito, é produzida em varios paises e é tão boa que passa a ser copiada ou desenvolvida com Semelhança Formal por qualquer designer ou empresa. Isso tudo não importa, é uma Estrutura Formal Historica tão abrangente na sua simplicidade que permeia a Multivariação Formal. (Figs.97 a 101)

Fig.97 – Alloy, sem autoria. A diferença forma ocorre nas 3 peças tubulares de aluminio no encosto junto com o assento inteiriço em madeira. A gente sabe que é comum, mas ela é diferente.

Fig.98 - Atalla, Alessandro Mendine,1985. Essa é sofisticada e cheia de aparatos formais; não custa nada tentar ser diferente e consegue-se.

Fig.99 - Desse tipo tem tantas no mercado que a gente não sabe quem fez, mas ela vale exatamente por isso:Semelhança Formal no sentido de que serve para todos. Design BBB: Bom, Bonito e Barato.O pivotamentp é tradicional e a regulagem do angulo do assento tambem, mas é de um simplicidade forma e construtiva que impressiona exatamente por não impressionar ninguem.

Fig.100 - Stradivarius,Giovanni Offredi,1981. Essa é um primor de sutileza formal: não parece a nada que apresentamos até agora e ao mesmo tempo, sempre fica clara a sua intenção de mostrar que não está nem ai para isso; e´diferente e semelhante a qualquer uma.Linda!

Fig. 101 - Sam, Sansonite, 1980s, essa é uma das cadeiras mais conhecidas, usadas e copiadas do mundo nesse segmento especial de uso. Só é comparada a Bistrô ou as Bistrôs.
Sao tantos os motivos, intenções, modelos, versões dessa Estrutura Formal tão peculiar que não poderiamos nos furtar de apresentar um caso especial, talvez a mais especial de todas e que gerou um subsegmento a parte e que não cansa de aparecer novas formatações: a interessante, suprema e unica Cadeira de Diretor. Não vamos nos alongar nela, porque é tão importante que merece um artigo proprio e que pode ser visto no menu do site DMemoria. De antemão, adiantamos apenas que surgiu na epoca de Napoleão Bonaparte como resultado formal efetivo. Anteriormente surgiram outras versões que se aproximavam dela, mas a que marcou foi a do conquistador, porque gerou todas as versões posteriores.
È uma cadeira com a Estrutura Cruzada em X frontal, construida em madeira, com braços, dobravel e com assento e encosto de couro na de Napoleão. Não se sabe quem projetou a primeira, porque veio de um longo processo de desenvolvimento nesse segmento especial de uso. mas as referencias indicam que a partir de um determinado momento passou a existir e perdura até hoje como uma das mais perfeitas realizações do Design historico. É super pratica, leve, perfeita na dobragem e de um Design incomum. De uma certa forma lembra o secular faldistorio com braços da longinqua Idade Media e afirmada no Renascimento, como ja vimos anteriormente. Podemos dizer até, que a Cadeira de Diretor(assim chamada por ter sido popularizada pelos diretores do cinema american nas decadas de 1920-30) é a primeira versão moderna do faldistorio nascida em plena florescencia da Revolução Industrial. È o maximo nesse segmento de uso e aqui a reverenciamos.(Fig.102)

Fig.102 - A cadeira usada por Napoleão nas suas inumeras campanhas militares e que gerou inumeras versões desenvolvidas e usadas em profusão hoje.
Dela, surgiu o modelo sintese, a Forma Modelo que a tornou conhecida e usada no mundo inteiro e que quase nada difere da original, mas tem diferenças sutis, tão sutis que a torna multivariada formalmente. (Figs.103 e 104)


Figs.103 e 104 - Duas versões atuais da Cadeira de Diretor; apesar da primeira ser a mais comum e a outra ser mais alta (para crianças), notamos as sutis diferenças de formato e construção.
E assim continua a saga das cadeiras e bancos da Estrutura Cruzada em X no mundo atual. Em cada páís, de cada designer, industria ou profissional ela resurge a cada momento em novas versões modelares para servir a humanidade, desde os tempos imemoriais.(Figs. 105 a 107)
NOS BANCOS E BANQUETAS

Fig.105 – Jorgen Gammelgaard, 1970 : lembrando o faldistorio da Idade Media.

Fig.106 - Sem autor nem data comprovada, mas isso não importa.

Fig.107 - Tambem de origem desconhecida, mas surgiu nos anos 1980s. È um Banco Tesoura moderno.
E NAS INCONTAVEIS CADEIRAS, SÓ PARA MOSTRAR ALGUMAS (Figs. 108 a 111)

Fig.108 - Banco para acampar americano,1990

Fig.109 - Gaultier, na dobragem do X por sulcos tão usado hoje em dia, um modelo comum resurge diferenciado.

Fig.110 - Sem autoria comprovada, mas de uma modernidade tamanha.

Fig.111 - Ikea , tão antiga quanto moderna, no X curvado. Linda e atual.
E tão comum quanto querer ser diferente, tão classica quanto moderna. (Figs.112 a 113)

Fig.112 - Viken 12, Gunilla Nurin, 1982

Fig.113 - Newburry, tipicamente inglesa mas podia ser de qualquer lugar.
Que na simplicidade impera e fica e vive, sem precisar de autor ou coisa que o valha. Apenas demonstra que a Estrutura Formal Cruzada em X, veio para ficar, não importando quando tudo começou. (Figs. 114 e 115)


Figs.114 e 115 - Finas, simples, sendo belas, sendo uteis.
O Design sempre acontece para não deixar morrer o sonho, mesmo que a origem seja de um país e não de um designer. (Fig.116)

Fig.116 - Cadeira de origem americana, autor desconhecido.
(*) Fontes e referencias.
SITES
www.furniture.indiabizclub.com
www.furniturehistorysociety.org
LIVROS
Designer's Guide to Furniture Styles, Treena Crochet
The Encyclopedia of Furniture,Joseph Aronson
The Complete Guide to Furniture Styles,Louise Ade Boger
Illustrated History of Furniture, Frederick Litchfield
Antique Furniture and Decorative Accessories (Dover Pictorial Archive Series), Thomas Arthur Strange
Egyptian Woodworking and Furniture (Shire Egyptology), Geoffrey Killen
Furniture in History: 3000 B.C. - 2000 A.D.,Leslie Piña
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