QUANDO OS DESIGNERS FAZEM RELOGIOS: Issey Miyake, Ross Lovegrove, Naoto Fukasawa e Tokujin Yoshioka
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O relogio de pulso é praticamente um ser vivo, um orgão que faz parte do ser humano. Desde que Santos Dumont elevou-se aos céus em 1906 com um dos primeiros relogios amarrados ao punho, - o Cartier Tank feito especialmente para ele-, o pequeno objeto de uso se tornou parte do corpo humano. A historia do homem com a medição do tempo remonta aos relogios de sol, mas a partir do começo do seculo XX é um acessorio fundamental e motivo até de fetiche. Também pudera, é um dos primeiros objetos de uso a ser por natureza e conceito, multivariado formalmente. A não ser pelas marcas exclusivas e só para milionarios, o relogio de pulso não é lançado com um unico modelo, mas como um conjunto de modelos variados formalmente. Ele já nasce sob a egide conceitual da Multivariação Formal. Em geral não sabemos quem é o designer que desenvolveu o conjunto de modelos de uma marca, num detreminado momento. Isso também é consequencia da Multivariação Formal: o designer não é tão importante assim, mas o produto multivariado e principalmente a marca é! Mas, o que acontece quando uma empresa convida designers conhecidos para desenvolver seus modelos? Ou seja, fazer exatamente o contrario do que normalmente se pratica na relojoaria. Foi que a Issey Miyake, corajosamente fez. Mas só para variar, os resultados não podiam deixar de ser formalmente multivariados. E curiosamente, as soluções formais vieram todas com os tradicionais ponteiros no mostrador. Vejamos os resultados dos três designers.
HU, de Ross Lovegrove – Fabricado pela Seiko em titanio e pulseira emborrachada, o apelido HU, veio de “human” e foi desenvolvido para ser como uma extensão do corpo, não como um acessorio cheio de grafias e ornamentos ou um objeto para ser notado como parte da vestimenta. E Lovegrove conseguiu desenvolver essa ideia. O HU parece fazer parte do braço do usuario, uma forma que se integra a ele. Os materiais foram escolhidos, lisos e limpidos, como a pele humana; a forma chega ao limite da simplicidade, a caixa se junta a pulseira, como um todo. O mostrador acompanha o resto e só tem dois pontos de indicação para horas e minutos. Lindo e com a forma acompanhando o conceito. E, só para variar, é sutilmente é multivariado, no mostrador e pulseira. Como não podia deixar de ser.
TWELVE 365- Naoto Fukasawa, optou pela Mutivariação Formal explicita num relogio de pulso usual, a partir de uma forma classica revisitada ao contrario: a caixa é circular externamente, e internamente, é um poligono de 12 lados. O mostrador multifuncional tem uma forma fixa, mas a escolha dos ponteiros pretos é tão marcante que pode ser visto a distancia. A ideia foi desenvolver uma forma simples e leve, a lisura em forma de relogio.
TRAPEZOID, Naoto Fukasawa –Nessa forma-modelo de relogio esportivo, Fukasawa optou pelo contrario: ser antes de tudo robusto e forte. A grande espessura e o diametro pequeno, forneceu uma proporção que demostra isso. A Multivariação Formal se deu pelas cores e material: em aço na caixa e pulseira e em aluminio com 4 cores com a pulseira de silicone seguindo a cor da caixa. É um relogio extremamente atraente para os amantes dessa categoria de relogio.
TO automatic', Tokujin Yoshioka, prima pela forma inovadora e intrigante, num relogio tradicional.O mostrador se integra a caixa totalmente, parece ser uma coisa só. E ainda inova na forma classica dos relogios com ponteiros: eles se movimentam como um rotor e a indicação pontual das horas se localiza na caixa e não no mostrador. Afinal de contas, eles são a mesma coisa: esse é o conceito. A tradicional Multivariação Formal dos relogios de pulso, é sutil, ficou por conta, das cores e pulseiras. È um relogio que não parece como tal: procura negar o mostrador e ponteiros.Brilhante solução para a tradicional forma. |
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